A Coca-Cola anunciou nesta terça-feira (15) que voltará a utilizar açúcar de cana na produção de seus refrigerantes vendidos nos Estados Unidos ainda este ano. A decisão acompanha o movimento do governo Trump, que vem pressionando a indústria alimentícia por ingredientes mais saudáveis, por meio da campanha “Make America Healthy Again”, liderada pelo Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr.
Segundo o CEO da companhia, James Quincey, a mudança busca atender às preferências dos consumidores por opções menos processadas. A Coca-Cola já comercializa versões adoçadas com açúcar de cana em outros países, como o México, e até mesmo em alguns supermercados norte-americanos na forma da popular “Coca-Cola mexicana”, vendida em garrafas de vidro.

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A decisão, no entanto, trará desafios. Especialistas alertam que tanto o açúcar de cana quanto o xarope de milho, usado atualmente nos EUA, podem causar prejuízos à saúde se consumidos em excesso. Além disso, a troca aumentará os custos da empresa, devido à necessidade de ajustar cadeias logísticas e à alta nas tarifas de importação de alumínio, que agora chegam a 50% após nova rodada de medidas do governo americano.
Apesar desse cenário, os resultados do segundo trimestre surpreenderam positivamente o mercado. A receita comparável da Coca-Cola subiu 2,5%, para US$ 12,62 bilhões, superando as estimativas de US$ 12,54 bilhões. Os preços mais altos compensaram a queda de 1% no volume de vendas, pressionado por recuos em mercados estratégicos como México, Índia e Estados Unidos — neste último, em especial, a marca Coca-Cola teve desempenho abaixo do esperado.
Quincey reconheceu que a retração nas vendas na América do Norte reflete a pressão econômica sobre os consumidores de renda mais baixa, o que afetou a demanda por produtos premium. Mesmo assim, o executivo afirmou que os impactos nas margens seguem administráveis, com cerca de 61% da receita da companhia vindo de mercados internacionais.





