O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, após avanço de 1,1% nos três primeiros meses do ano. Embora o resultado tenha ficado levemente acima das expectativas do mercado, a abertura dos dados indica uma perda de ritmo mais acentuada nos setores sensíveis aos juros, reforçando a percepção de desaceleração da atividade econômica.
A expansão no trimestre foi sustentada principalmente pela agropecuária e pela indústria extrativa mineral, segmentos menos dependentes do ciclo de crédito e mais influenciados por fatores como safra e produção de petróleo e gás. Em contrapartida, o consumo das famílias recuou, enquanto a indústria de transformação e a construção civil perderam dinamismo, evidenciando os efeitos da política monetária restritiva sobre a demanda doméstica.
Para Rodolfo Margato, economista da XP, a composição do resultado foi fraca e mostra uma economia que perde tração mesmo diante de um mercado de trabalho ainda aquecido e de medidas de estímulo à demanda. Leonardo Costa, do ASA, também destacou a perda de força dos segmentos mais dependentes de crédito, avaliando que os sinais de enfraquecimento já começam a aparecer nas perspectivas para o terceiro trimestre.

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O setor de serviços, importante componente da atividade brasileira, também apresentou desaceleração. Segundo Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, o segmento passou de crescimento interanual de 2,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo. Na avaliação de Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, os juros já exercem impacto relevante sobre a indústria de transformação, enquanto a contribuição do agronegócio tende a diminuir nos próximos meses.
Diante desse cenário, algumas instituições revisaram suas projeções para a economia. O ASA reduziu a estimativa de crescimento do PIB em 2026 de 2% para 1,8% e prevê expansão de apenas 0,2% no terceiro trimestre. A XP manteve projeção de 2%, mas passou a atribuir viés de baixa à estimativa e prevê praticamente estagnação da atividade no segundo semestre. O Daycoval, por sua vez, elevou sua projeção de 1,7% para 1,8%, mas espera crescimento entre 0,15% e 0,2% na segunda metade do ano.
A perspectiva de menor crescimento também influencia as expectativas para a política monetária. A XP projeta três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, levando os juros para 13,25% ao ano no fim de 2026 e 11,5% em 2027. Ainda assim, os economistas ressaltam que o impacto acumulado do aperto monetário deve continuar se espalhando pela economia nos próximos trimestres, mantendo a demanda doméstica sob pressão.




