Os preços da indústria nacional voltaram a cair em fevereiro, registrando variação de 0,25% negativos na comparação com janeiro, segundo dados do Índice de Preços ao Produtor, o IPP, divulgados nesta segunda-feira, dia 31, pelo IBGE. O resultado interrompe uma sequência de dois meses consecutivos de alta e foi fortemente influenciado pelo setor de alimentos, que apresentou retração de 0,87% no período.
Com peso relevante na composição do índice, cerca de 24%, o segmento alimentício exerceu a principal influência negativa no indicador mensal, contribuindo com 0,21 ponto percentual negativo no resultado geral. A queda foi impulsionada principalmente pela redução nos preços do açúcar, refletindo tanto o recuo das cotações internacionais quanto um ambiente doméstico marcado por maior competitividade, promoções e descontos.
No acumulado de 2025, o IPP registra leve alta de 0,07%, enquanto no horizonte de 12 meses o índice acumula queda de 4,47%, evidenciando um processo mais amplo de descompressão dos preços na indústria. Em fevereiro do ano passado, a variação mensal havia sido de 0,12% negativos.

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A pesquisa, que mede os preços na porta de fábrica, sem a incidência de impostos e fretes, mostrou que 13 das 24 atividades industriais investigadas apresentaram queda nos preços na passagem mensal, ampliando a disseminação do movimento de baixa em relação a janeiro, quando 10 setores haviam registrado recuo.
Apesar da queda mais disseminada, alguns segmentos apresentaram alta relevante de preços, como máquinas e materiais elétricos, perfumaria e produtos de limpeza, metalurgia e vestuário. No caso da metalurgia, o avanço foi puxado principalmente pelos metais não ferrosos, com destaque para o ouro, em um contexto de forte demanda internacional por commodities. Já no setor de materiais elétricos, a valorização do cobre seguiu pressionando os custos.
Sob a ótica das grandes categorias econômicas, todas registraram variação negativa em fevereiro. Bens de capital recuaram 1,29%, bens intermediários caíram 0,25% e bens de consumo tiveram leve queda de 0,03%. Entre esses grupos, os bens intermediários, que possuem maior peso na estrutura do índice, foram os principais responsáveis pelo resultado mensal.
O desempenho do IPP reforça um ambiente de menor pressão inflacionária no setor produtivo, o que pode, ao longo do tempo, se refletir nos preços ao consumidor, dependendo das condições de demanda e repasse ao longo das cadeias produtivas.




