A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho na comparação com maio, registrando o segundo resultado negativo do ano e um desempenho mais fraco do que o esperado pelo mercado. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou abaixo da projeção de economistas, que estimavam queda de 0,8% no período.
Na comparação com junho de 2025, a indústria avançou 1,7%, enquanto o acumulado do ano aponta crescimento de 1,5%. Em 12 meses, a expansão é de 0,7%, indicando que, apesar do avanço no horizonte mais longo, o ritmo da atividade perdeu força nos últimos meses.
O recuo mensal foi disseminado. Das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE, 16 registraram queda na produção, além de todas as quatro grandes categorias econômicas apresentarem desempenho negativo.

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O setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis exerceu a maior influência negativa, com retração de 5,9% em junho. Foi o segundo mês consecutivo de queda, acumulando perda de 11,8% no período. Também contribuíram para o resultado desfavorável os segmentos de produtos químicos (-4,3%), alimentos (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), confecção de vestuário (-11,0%), equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (-8,9%), outros equipamentos de transporte (-8,6%), produtos de borracha e plástico (-2,8%) e indústrias extrativas (-0,6%).
Por outro lado, algumas atividades apresentaram desempenho positivo e ajudaram a reduzir parcialmente as perdas. O destaque foi o setor de celulose, papel e produtos de papel, que cresceu 5,4% e acumula expansão de 7,3% nos últimos três meses. Também registraram avanços relevantes os segmentos de impressão e reprodução de gravações, com alta de 20,2%, e metalurgia, que avançou 1,4%.
Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo semi e não duráveis registraram a maior retração, de 4,1%, seguidos pelos bens de consumo duráveis, que caíram 3,2%. Já os setores de bens de capital e de bens intermediários recuaram 1,1% cada.
O resultado reforça o cenário de desaceleração gradual da atividade industrial em meio ao ambiente de juros ainda elevados, fator que continua limitando investimentos, produção e o consumo de bens, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao custo do crédito.




