O Federal Reserve (Fed) elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%. A decisão foi unânime e representa a primeira alta dos juros americanos desde 2023. O movimento ocorre em meio à preocupação das autoridades com a persistência das pressões inflacionárias e com a possibilidade de que a desaceleração dos preços perca força.
As novas projeções do banco central apontam para a possibilidade de mais uma elevação ainda este ano. Das 18 autoridades que participam das projeções, 16 indicaram expectativa de pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026, enquanto duas projetaram manutenção dos juros no nível atual. O cenário traçado pelo Fed prevê a taxa entre 4% e 4,25% ao final deste ano, permanecendo nessa faixa até o encerramento de 2027.
A mudança ocorre sob a presidência de Kevin Warsh, que assumiu o comando do Fed no fim de maio. O novo comunicado reforçou o compromisso da instituição com a convergência da inflação para a meta de 2% e retirou a referência anterior de que parte da inflação elevada estaria relacionada a choques temporários de oferta, sinalizando uma avaliação mais abrangente sobre as pressões de preços.

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As projeções econômicas também foram revisadas. A estimativa para a inflação medida pelo índice de preços de gastos de consumo pessoal (PCE) subiu de 3,6% para 3,7%, enquanto o retorno à meta de 2% passou a ser esperado apenas para 2029, um ano depois da previsão anterior. Para o crescimento econômico, a projeção de 2026 avançou de 2,2% para 2,3%, enquanto a estimativa para a taxa de desemprego no fim do ano caiu de 4,3% para 4,1%.
A decisão ocorre em um contexto de atenção dos mercados aos próximos passos da política monetária americana. Embora a alta já fosse amplamente esperada, a sinalização de novas elevações pode influenciar os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, as condições de crédito e a precificação de ativos globais. A ausência de uma orientação explícita sobre as próximas reuniões mantém os dados de inflação e atividade como elementos centrais para as decisões futuras.
Na avaliação de Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, a comunicação de Warsh reforçou a preocupação com a persistência da inflação, ao mesmo tempo em que destacou a estabilidade do mercado de trabalho e a força da atividade econômica. Para o economista, o cenário aponta para uma nova alta de 0,25 ponto percentual em dezembro, seguida pela retomada dos cortes somente em 2028.





