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Serviços voltam a crescer no Brasil em agosto, mas ritmo de expansão permanece fraco

PMI do setor avançou para 50,5, após retração em julho, enquanto estabilização das novas encomendas e do emprego trouxe algum alívio à atividade

A atividade do setor de serviços brasileiro voltou a crescer em agosto, após a retração registrada em julho, mas ainda em ritmo bastante moderado. O PMI de Serviços, calculado pela S&P Global, subiu de 49,7 para 50,5 no período. O resultado levou o indicador novamente para acima da marca de 50 pontos, que separa expansão de contração, após ter registrado queda em julho — a única retração observada pelo setor neste ano.

A melhora refletiu principalmente a estabilização da demanda e do mercado de trabalho. O volume de novos negócios ficou praticamente estável em agosto, depois de apresentar em julho a queda mais intensa em dez meses. Empresas que registraram aumento da atividade citaram a ampliação da carteira de clientes e a conquista de novos contratos, embora o avanço geral tenha sido apenas marginal. Ao mesmo tempo, o emprego deixou de recuar após duas quedas consecutivas, com parte das empresas voltando a contratar para preencher vagas e repor desligamentos, enquanto outras mantiveram cortes como parte de medidas de controle de custos.

O ambiente de negócios também apresentou melhora. A parcela de empresas que espera aumento da atividade nos próximos 12 meses passou de 29% em julho para 32% em agosto, levando a confiança do setor ao maior nível em três meses. O maior otimismo esteve associado à expectativa de melhora das condições econômicas e ao aumento da confiança no mercado após as eleições presidenciais de outubro.

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Apesar dos sinais positivos, as empresas ainda enfrentam obstáculos importantes. As pressões sobre os custos permaneceram elevadas, com aumentos envolvendo materiais, energia, combustíveis, mão de obra, transporte e financiamento. Embora o ritmo de alta dos custos tenha desacelerado, 41% das empresas relataram aumento das despesas, enquanto apenas 16% elevaram os preços cobrados dos clientes, indicando uma pressão relevante sobre as margens. Ainda assim, a inflação de preços de venda ganhou força em agosto diante dos repasses realizados pelas companhias.

A recuperação dos serviços, por sua vez, não foi suficiente para retirar o setor privado brasileiro da zona de contração. O PMI Composto, que reúne indústria e serviços, avançou de 48,8 para 49,1 pontos em agosto, mas permaneceu abaixo de 50 pelo segundo mês consecutivo, refletindo principalmente a fraqueza da indústria de transformação.

Para Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, os serviços deram algum suporte à economia em agosto, mas o desempenho geral ainda permanece pressionado. Segundo a avaliação da instituição, uma recuperação mais consistente dependerá de uma demanda mais forte, menor pressão sobre os custos e maior disposição das empresas para investir e contratar.

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