A prévia da inflação oficial do país perdeu força em julho e ficou abaixo das expectativas do mercado, reforçando a percepção de que o processo de desaceleração dos preços segue em curso. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,06% no período, resultado inferior à projeção de 0,22% dos analistas e que amplia as apostas de continuidade do ciclo de redução da taxa Selic pelo Banco Central.
Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador acumula alta de 4,52% em 12 meses, praticamente no limite superior da meta de inflação, de 4,5%. Apesar de ainda permanecer em patamar elevado, o resultado mostra uma perda gradual da pressão inflacionária.
Além da surpresa no índice cheio, a composição dos dados também foi considerada positiva por economistas. A desaceleração foi observada em diversos segmentos da economia, indicando que o movimento não se restringiu a itens específicos. O índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços com aumento de preços, caiu de 60% em junho para 48% em julho, sinalizando que a desaceleração ocorreu de forma mais ampla.

Clique aqui para começar a investir com quem entende
Os núcleos de inflação, indicadores que desconsideram itens mais voláteis para medir a tendência dos preços, também mostraram arrefecimento. A média dos núcleos registrou alta de 0,23%, abaixo da estimativa de 0,26%, reforçando a avaliação de que a inflação subjacente perdeu intensidade.
O principal fator de alívio veio do grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou deflação de 0,66%, revertendo a alta de 0,74% registrada no mês anterior. A queda foi impulsionada principalmente pelos preços dos alimentos consumidos no domicílio, com destaque para o recuo do tomate e da batata.
Em sentido contrário, o grupo Habitação exerceu a maior pressão sobre o índice, com alta de 0,97%. Já o grupo Transportes avançou 0,11%, influenciado principalmente pelo aumento de 11,70% nas passagens aéreas.
O resultado fortalece a percepção de que a inflação brasileira continua em trajetória de desaceleração, ainda que permaneça próxima ao teto da meta, cenário que tende a ser acompanhado de perto pelo Banco Central nas próximas decisões de política monetária.





