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Inflação desacelera em junho e reforça expectativa de corte da Selic em agosto

IPCA sobe apenas 0,16%, menor variação mensal em oito meses, impulsionado pela queda dos preços dos alimentos e pela desaceleração da energia elétrica.

A inflação oficial do Brasil perdeu força em junho e registrou o menor avanço mensal dos últimos oito meses, fortalecendo a expectativa do mercado por um novo corte na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% no mês, após alta de 0,58% em maio. O resultado ficou abaixo das projeções do mercado, que esperava elevação de 0,31%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%.

O principal fator de alívio para o índice foi a queda dos preços dos alimentos. O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24%, revertendo a forte alta registrada no mês anterior. A alimentação no domicílio caiu 0,39%, refletindo reduções nos preços do café moído, frutas e carnes, embora itens como feijão-carioca e batata-inglesa tenham apresentado aumentos. As despesas com alimentação fora de casa também desaceleraram, indicando menor pressão sobre o orçamento das famílias.

Apesar da desaceleração da inflação, o grupo Habitação continuou exercendo a maior influência sobre o índice, com alta de 0,63%. A energia elétrica residencial permaneceu como o principal impacto individual do mês, embora seu ritmo de alta tenha diminuído em relação a maio. Os grupos Saúde e Cuidados Pessoais e Transportes também registraram avanços, impulsionados pelo reajuste dos planos de saúde, aumento nos preços de artigos de higiene pessoal e pela forte alta das passagens aéreas. Em contrapartida, a queda dos combustíveis, especialmente do etanol, do diesel e da gasolina, ajudou a conter o avanço dos preços.

Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento e permanecendo dentro da faixa de tolerância da meta do Banco Central, o mercado passou a reforçar as apostas de continuidade do ciclo de flexibilização da política monetária. A combinação entre desaceleração dos preços e atividade econômica moderada amplia o espaço para uma nova redução da taxa básica de juros nas próximas decisões do Copom.

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