Os investidores que possuem aplicações em fundos de investimento podem notar uma redução no número de cotas disponíveis na carteira nesta sexta-feira (29). O motivo é o chamado “come-cotas”, mecanismo de antecipação do Imposto de Renda realizado semestralmente pela Receita Federal sempre no último dia útil de maio e novembro.
A cobrança funciona como uma antecipação do imposto sobre os rendimentos obtidos nos fundos. Em vez de esperar o resgate da aplicação, o governo desconta automaticamente parte dos ganhos diretamente das cotas do investidor. Na prática, o patrimônio sofre uma pequena redução, mesmo sem qualquer movimentação por parte do cliente.
A tributação varia conforme o tipo de fundo. Nos fundos classificados como de longo prazo, a alíquota aplicada é de 15%. Já nos fundos de curto prazo, o percentual sobe para 20%. O desconto acontece apenas quando há rentabilidade positiva no período. Fundos com perdas acumuladas ou sem ganhos não entram na cobrança.

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O come-cotas atinge principalmente fundos de renda fixa, multimercados, cambiais e fundos exclusivos enquadrados como entidade de investimento. Apesar da redução momentânea no saldo, o investidor não é tributado duas vezes sobre o mesmo rendimento. No momento do resgate, será cobrada apenas a diferença entre a alíquota total devida e o percentual já antecipado.
Algumas categorias permanecem isentas da cobrança semestral. Estão fora do come-cotas os fundos de ações, fundos imobiliários (FIIs), fundos de previdência privada, fundos de debêntures incentivadas e aplicações com mais de 95% do patrimônio em ativos isentos. ETFs de renda variável e determinados FIDCs e FIPs também escapam da antecipação do imposto.
O mecanismo costuma gerar dúvidas entre investidores iniciantes, especialmente pela percepção de queda automática no patrimônio. Ainda assim, especialistas reforçam que o come-cotas não representa uma cobrança extra, mas apenas uma antecipação tributária prevista na estrutura dos fundos.




