A prévia da inflação oficial no Brasil surpreendeu em março e veio acima das expectativas do mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou 0,44% no mês, desacelerando em relação aos 0,84% registrados em fevereiro, mas ainda acima da projeção de 0,29% apurada em pesquisa da Reuters. Em 12 meses, o índice acumula alta de 3,90%, também acima do esperado.
Os dados, divulgados nesta sexta-feira (26) pelo IBGE, mostram uma inflação mais disseminada, com alta em todos os nove grupos pesquisados. O principal vetor de pressão veio do grupo Alimentação e bebidas, que subiu 0,88% e respondeu pelo maior impacto no índice geral. Na sequência, Despesas pessoais avançaram 0,82%, reforçando a pressão inflacionária no período.
A alimentação dentro de casa foi o principal destaque, acelerando de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. Entre os itens que mais pesaram no bolso do consumidor estão o açaí, com disparada de quase 30%, o feijão-carioca, ovos, leite longa vida e carnes. Por outro lado, produtos como café moído e frutas registraram queda, amenizando parcialmente o impacto.

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Já a alimentação fora do domicílio apresentou leve desaceleração, embora o custo dos lanches tenha acelerado no período. O movimento sugere uma pressão ainda relevante no setor de serviços, que segue resiliente.
No grupo de Despesas pessoais, os maiores aumentos vieram de serviços bancários e do custo com empregado doméstico. Em Saúde e cuidados pessoais, planos de saúde e itens de higiene também contribuíram para a alta.
A inflação de Habitação ganhou força, impulsionada principalmente pela energia elétrica, refletindo reajustes tarifários em algumas regiões. Água e esgoto também registraram aumentos, enquanto o gás encanado teve queda.
Em Transportes, o destaque foi a forte alta das passagens aéreas, que representaram o maior impacto individual no índice do mês. Tarifas de ônibus intermunicipal e corridas de táxi também subiram, influenciadas por reajustes regionais, enquanto os combustíveis ficaram praticamente estáveis no agregado.
Regionalmente, a inflação foi disseminada, com alta em dez das onze áreas pesquisadas. Recife registrou a maior variação, puxada por alimentos e combustíveis, enquanto Curitiba foi a única cidade com leve deflação no período.
O resultado reforça o cenário de atenção para a inflação no curto prazo, especialmente em um momento de incertezas globais e impacto persistente dos alimentos e serviços sobre o custo de vida.





