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Desemprego sobe para 5,4% no início de 2026 e indica acomodação do mercado de trabalho

Renda média recorde e queda da informalidade reforçam quadro de estabilidade, mas Banco Central deve manter cautela nos juros.

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% nos três meses encerrados em janeiro de 2026, após atingir mínimas históricas ao longo de 2025. O resultado representa alta frente aos 5,1% do quarto trimestre, mas permaneceu estável na comparação com o período anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE. O número veio em linha com as projeções de analistas consultados pela Reuters.

De acordo com o instituto, a elevação reflete um comportamento sazonal típico do início do ano, quando ocorre a dispensa de trabalhadores temporários contratados no fim do período natalino. A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, afirmou que os indicadores apontam para estabilidade da ocupação, mesmo com a leve oscilação da taxa de desocupação.

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Apesar disso, o rendimento real médio alcançou R$ 3.652, o maior valor da série histórica iniciada em 2012. A combinação entre desemprego baixo e salários elevados mantém o mercado de trabalho aquecido e no radar do Banco Central, já que pode dificultar o controle da inflação em um momento de expectativa por cortes graduais na taxa Selic.

No trimestre até janeiro, o número de desempregados caiu para 5,851 milhões, o menor da série, enquanto o total de ocupados chegou a 102,671 milhões de pessoas. Houve avanço do emprego formal, com crescimento de 0,4% dos trabalhadores com carteira assinada no setor privado, e redução de 1,3% dos sem carteira. A taxa de informalidade recuou para 37,5%, o menor nível desde julho de 2020.

Para Rafael Perez, economista da Suno Research, o cenário aponta para um mercado ainda forte, porém mais próximo do limite de expansão. “Com desemprego em mínimas históricas, renda em alta e maior formalização, o Banco Central tende a conduzir um ciclo de cortes de juros mais cauteloso ao longo do ano”, avaliou.

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