Entrou em vigor nesta quarta-feira (6) a tarifa mais alta já imposta pelos Estados Unidos a um único país: um total de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, determinada na semana passada, afeta cerca de 35% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano e é composta por uma tarifa recíproca de 10% somada a uma sobretaxa de 40%. A decisão surpreende não apenas pelo valor recorde, mas também pelo caráter excepcional do tratamento dado ao Brasil, que teve sua implementação antecipada em um dia em relação a outros países.
Apesar do impacto potencial expressivo sobre o comércio exterior, o governo brasileiro aposta em mecanismos de contenção de danos. Uma lista com 694 exceções foi divulgada, reduzindo a tarifa média efetiva para algo entre 29% e 31%, segundo cálculos da Rio Bravo Investimentos. Além disso, produtos embarcados antes da entrada em vigor e que cheguem aos EUA até 5 de outubro estarão isentos da nova taxação, conforme prevê a regra de transição.

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Setores estratégicos, como o de energia e produtos químicos, estão entre os mais beneficiados pelas isenções. A exclusão de itens como o suco de laranja (cuja importação pelos EUA depende majoritariamente do Brasil) é vista por especialistas como um sinal de que Washington pretende preservar canais de negociação com o governo brasileiro. Analistas também enxergam nas exceções uma tentativa dos EUA de usar setores-chave como moeda de troca em futuras tratativas.
A imposição da tarifa coloca o Brasil no topo do ranking de países mais afetados pela nova política tarifária americana, superando até mesmo China (30%) e México (25%). Na comparação, nações como Argentina e Índia foram enquadradas na alíquota mínima de 10%. Mesmo com a exclusão de alguns itens importantes, a medida deve impactar a balança comercial brasileira e afetar desde empresas exportadoras até o consumidor final, por meio de efeitos indiretos nos preços e na confiança econômica.
O governo brasileiro, por sua vez, trabalha com a possibilidade de negociações bilaterais e setoriais para reverter ou suavizar os efeitos da nova tarifa. Enquanto isso, o mercado acompanha com atenção o desdobramento do episódio, avaliando riscos para o PIB, inflação e política monetária, num momento em que o país já enfrenta desafios internos relevantes.





