Os preços ao produtor dos Estados Unidos permaneceram estáveis em junho, refletindo um equilíbrio entre a pressão inflacionária gerada pelas tarifas sobre bens importados e a fraqueza na demanda por serviços. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (17) pelo Departamento do Trabalho, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) para a demanda final ficou inalterado no mês, após uma revisão para cima no dado de maio, que passou de 0,1% para 0,3%.
Na comparação anual, o PPI avançou 2,3% até junho, abaixo dos 2,7% registrados nos 12 meses encerrados em maio. A leitura veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta mensal de 0,2%, segundo pesquisa da Reuters.
Os dados reforçam a leitura de que a inflação nos EUA está sendo impulsionada, principalmente, por itens de bens duráveis atingidos por tarifas, como móveis, eletrodomésticos e brinquedos. Essas pressões começaram a se intensificar após os anúncios de tarifas do presidente Donald Trump em abril, e devem ganhar força com a entrada em vigor de novas alíquotas a partir de 1º de agosto para importações de países como México, Japão, Canadá, Brasil e União Europeia.

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Por outro lado, a desaceleração nos preços de serviços, puxada pela menor demanda por viagens e hospedagens, ajudou a conter uma aceleração mais forte da inflação ao produtor. Analistas ponderam que essa compensação entre os setores pode limitar os efeitos imediatos das tarifas, mas o impacto total ainda será sentido nos próximos meses.
Em meio ao cenário, o Federal Reserve deve manter a taxa básica de juros entre 4,25% e 4,50% na reunião de julho. A ata do encontro realizado em junho mostrou que apenas uma minoria dos dirigentes considera um corte de juros neste mês, o que reforça a cautela da autoridade monetária frente ao quadro inflacionário ainda incerto.





