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Superávit da balança comercial recua 3,3% em abril com aumento das importações

Exportações para os EUA cresceram 21,9% no mês, possivelmente impulsionadas por antecipações diante das novas tarifas impostas pelo governo Trump.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 8,153 bilhões em abril, queda de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O resultado veio abaixo das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que previam saldo positivo de US$ 8,296 bilhões.

O recuo foi influenciado por um crescimento mais acentuado das importações, que subiram 1,6% e somaram US$ 22,256 bilhões, enquanto as exportações avançaram apenas 0,3%, totalizando US$ 30,409 bilhões. Ambas as marcas representam recordes históricos para meses de abril.

De acordo com o Mdic, o preço médio dos produtos exportados aumentou 0,8%, mas houve queda de 0,5% no volume embarcado. O desempenho foi puxado por uma alta de 2,4% nas exportações da indústria de transformação, impulsionada pelas vendas de veículos e carne bovina. Em contrapartida, o setor agropecuário registrou retração de 0,7%, principalmente devido à menor venda de soja, enquanto a indústria extrativa teve queda de 3,8%, com recuos nas exportações de petróleo bruto e minério de ferro.

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No lado das importações, o volume de produtos comprados do exterior cresceu 4,4%, apesar de uma queda de 2,9% no preço médio. A demanda foi liderada pelos bens de capital, com destaque para máquinas e equipamentos, cuja aquisição subiu 7,6% em relação a abril de 2024. “Observamos que a atividade econômica continuou crescendo no Brasil, com expansão da produção industrial e agrícola, demandando mais bens importados”, explicou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram forte alta de 21,9% no mês, em meio ao início da vigência de novas tarifas de importação anunciadas pelo presidente Donald Trump. A medida, revelada em 2 de abril, impôs uma tarifa mínima de 10% para países da América do Sul, como o Brasil, e taxas maiores para outros parceiros comerciais. Segundo Brandão, o aumento nas vendas pode estar ligado a um movimento de antecipação por parte dos importadores norte-americanos diante do cenário de incerteza comercial.

Entre janeiro e abril, o superávit comercial acumulado somou US$ 17,729 bilhões, queda de 34,2% frente ao mesmo período de 2024. As exportações no quadrimestre somaram US$ 107,305 bilhões, recuo de 0,7%, enquanto as importações cresceram 10,4%, alcançando US$ 89,576 bilhões. Esse aumento foi influenciado, entre outros fatores, pela importação pontual de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 2,5 bilhões, registrada em fevereiro.

Diante da atual dinâmica do comércio exterior, o Mdic indicou que a queda nos preços das commodities poderá levar a uma revisão da projeção de superávit para 2025, atualmente estimado em US$ 70,2 bilhões. A nova previsão deve ser divulgada em julho.

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