A produção industrial brasileira registrou alta de 0,1% em março na comparação com fevereiro, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento, segundo dados divulgados pelo IBGE. Com o resultado, o setor acumula expansão de 3,1% no primeiro trimestre de 2026 e passa a operar 3,3% acima do nível pré-pandemia, embora ainda permaneça 13,9% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
Na comparação com março de 2025, a indústria avançou 4,3%, revertendo a fraqueza observada nos meses anteriores e mostrando uma recuperação mais disseminada entre os segmentos produtivos. O desempenho positivo ocorreu em meio ao avanço de 19 dos 25 ramos pesquisados pelo IBGE.
Entre os principais destaques do mês estiveram os setores de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceram 2,2% e acumulam expansão de 11,5% em quatro meses consecutivos de alta. O segmento de produtos químicos também apresentou forte recuperação, com avanço de 4%, eliminando parte das perdas registradas em fevereiro.
A indústria automotiva voltou a exercer papel importante na recuperação do setor, com crescimento de 1,1% na passagem mensal e salto de 18,7% frente a março do ano passado. A produção de automóveis, caminhões e autopeças impulsionou o desempenho da categoria de bens de consumo duráveis, que registrou a maior alta entre os grandes grupos econômicos.

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Segundo André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal, o crescimento foi sustentado por setores estratégicos e mostrou maior disseminação entre as atividades industriais. Além dos automóveis, houve contribuições relevantes da metalurgia, máquinas e equipamentos e produtos ligados ao refino de petróleo.
Por outro lado, alguns segmentos seguiram pressionando o resultado geral da indústria. Os recuos mais relevantes vieram de bebidas, máquinas e materiais elétricos, móveis, vestuário e produtos alimentícios. O setor de celulose, papel e produtos de papel também apresentou retração na comparação anual, impactado principalmente pela menor produção de celulose.
Entre as grandes categorias econômicas, todas registraram crescimento em março. Os bens de consumo duráveis avançaram 1,7%, acumulando alta de 9,9% em três meses. Já os bens de capital cresceram 0,6%, enquanto bens intermediários e bens semi e não duráveis tiveram expansão de 0,5% e 0,4%, respectivamente.
Apesar do cenário de juros ainda elevados e da desaceleração econômica observada em alguns setores, os dados indicam uma recuperação gradual da atividade industrial, apoiada principalmente pelo fortalecimento da demanda em segmentos ligados à indústria automobilística, petróleo e bens de capital.




