A produção industrial brasileira registrou crescimento de 1,8% em janeiro na comparação com dezembro de 2025, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados pelo IBGE. O avanço interrompeu uma sequência recente de fraqueza do setor e representou a recuperação de parte da queda acumulada entre setembro e dezembro do ano passado, período em que a atividade industrial recuou 2,5%.
Na comparação com janeiro de 2025, a indústria avançou 0,2%, encerrando três meses consecutivos de retração na produção. Apesar da melhora pontual, a média móvel trimestral apresentou leve recuo de 0,1%, sinalizando que o setor ainda enfrenta um ambiente de crescimento moderado. Atualmente, a produção industrial está 1,8% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, mas permanece 15,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, parte da recuperação observada em janeiro está relacionada à retomada das atividades após o período de férias coletivas no fim do ano. Em dezembro, a produção havia registrado queda de 1,9%, a mais intensa desde março de 2021. Ainda assim, o economista destaca que o cenário de juros elevados segue pressionando a atividade industrial e limita uma recuperação mais robusta.

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O desempenho positivo do mês foi disseminado entre os segmentos industriais, com crescimento em 19 das 25 atividades pesquisadas e avanço nas quatro grandes categorias econômicas. Entre os destaques, o setor de produtos químicos liderou a alta, com crescimento de 6,2%, impulsionado pela demanda por fertilizantes, herbicidas e fungicidas ligados ao agronegócio. O setor automotivo também apresentou forte expansão, com alta de 6,3%, refletindo maior produção de caminhões e autopeças.
Outros segmentos que contribuíram positivamente foram metalurgia, bebidas, indústrias extrativas, equipamentos elétricos e produtos eletrônicos. Entre as grandes categorias econômicas, o maior avanço ocorreu em bens de consumo duráveis, que cresceram 6,3%, seguidos por bens de capital, bens intermediários e bens de consumo semi e não duráveis.
Apesar do resultado positivo, algumas atividades ainda registraram retração. O principal destaque negativo foi o setor de máquinas e equipamentos, que caiu 6,7% em janeiro e acumulou perda de 11,8% em dois meses. Segundo o IBGE, o recuo está relacionado principalmente à queda na produção de bens de capital voltados à indústria e à agricultura, segmentos diretamente impactados pelo ambiente de juros elevados.





