O Ibovespa operava em forte queda nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais. Às 13h03, pelo horário de Brasília, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 14,47%, aos 175.466,12 pontos, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O resultado contrariou as expectativas que vinham sendo precificadas pelo mercado nas semanas anteriores e desencadeou uma reação intensa dos investidores.
A magnitude do recuo chamou a atenção pelo histórico de perdas expressivas do mercado acionário brasileiro. Segundo levantamento da Elos Ayta, a maior queda diária da série ocorreu em 10 de setembro de 1998, quando o Ibovespa despencou 15,83%, em meio à crise financeira russa e à fuga de capitais dos mercados emergentes. A segunda maior baixa foi registrada em 27 de outubro de 1997, durante a crise asiática, quando o índice caiu 14,98%.
Pandemia e crises internacionais marcaram grandes perdas
A pandemia de Covid-19 aparece entre os episódios mais turbulentos da história recente da Bolsa. Quatro das dez maiores quedas diárias ocorreram em março de 2020, em um intervalo de apenas oito pregões. Em 12 de março, o Ibovespa recuou 14,78%; no dia 16, caiu 13,92%. Já em 9 e 18 de março, as perdas foram de 12,17% e 10,35%, respectivamente.
Na ocasião, o avanço da pandemia, as restrições à circulação e o temor de uma recessão global provocaram uma onda de aversão ao risco. A instabilidade foi ampliada pela disputa entre Arábia Saudita e Rússia no mercado de petróleo, que pressionou os preços da commodity e agravou a turbulência financeira.
A crise financeira global de 2008 também provocou perdas acentuadas. Em 15 de outubro, o Ibovespa caiu 11,39%, em meio aos desdobramentos da quebra do Lehman Brothers. Em 22 de outubro, o índice recuou 10,18%, diante da intensificação das incertezas nos mercados internacionais e da repercussão de medidas econômicas na Argentina.
Episódios políticos domésticos são menos frequentes
O levantamento também destaca que eventos políticos internos tiveram participação menor entre as maiores quedas históricas do índice. Uma das exceções ocorreu em 5 de setembro de 1994, quando o Ibovespa perdeu 10,50% após a repercussão das declarações do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, no episódio conhecido como escândalo da parabólica. Naquele momento, as incertezas sobre a continuidade do Plano Real afetaram o humor dos investidores.
O histórico mostra que choques políticos e econômicos podem provocar ajustes abruptos nos preços dos ativos. Embora crises internacionais tenham predominado entre as maiores perdas do Ibovespa, mudanças inesperadas no cenário doméstico também podem desencadear movimentos intensos, especialmente quando frustram as expectativas previamente incorporadas pelo mercado.





