A taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O resultado reflete um mercado de trabalho aquecido, com cerca de 103 milhões de pessoas ocupadas no período e aproximadamente 5,5 milhões ainda em busca de uma vaga.
Com o desempenho do último trimestre, a taxa média anual de desemprego caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, também o patamar mais baixo desde o início da série. Em um ano, o número médio de desocupados recuou de 7,2 milhões para 6,2 milhões, consolidando a recuperação após os efeitos mais severos da pandemia, quando o desemprego chegou a atingir até 14% e mais de 14 milhões de pessoas.
Segundo o IBGE, a melhora não foi acompanhada por aumento da subutilização ou do desalento, mas sustentada pela expansão efetiva da ocupação, especialmente no setor de serviços. A população ocupada atingiu recorde histórico em 2025, com 103 milhões de trabalhadores, frente a 101,3 milhões em 2024. O nível de ocupação — proporção de pessoas ocupadas em idade de trabalhar — também foi o mais alto da série, alcançando 59,1%.
A taxa anual de subutilização da força de trabalho caiu para 14,5%, a menor já registrada, com redução do contingente de pessoas subutilizadas para cerca de 16,6 milhões. Apesar da melhora, o número ainda supera o menor nível histórico observado em 2014, indicando que desafios estruturais persistem.

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O avanço do emprego veio acompanhado de melhora na renda. O rendimento médio real habitual subiu para R$ 3.560 em 2025, alta de 5,7% em relação ao ano anterior. Já a massa de rendimento real alcançou R$ 361,7 bilhões, recorde da série, impulsionada tanto pela expansão da ocupação quanto pelo aumento dos salários, influenciado pela valorização do salário mínimo.
O mercado formal também apresentou resultados expressivos. O número de empregados com carteira assinada no setor privado cresceu 2,8% em 2025, atingindo 38,9 milhões de pessoas, o maior patamar da série. Em contrapartida, houve redução no contingente de trabalhadores sem carteira e de empregados domésticos. A informalidade recuou para 38,1%, embora ainda represente uma parcela relevante do mercado de trabalho brasileiro.
No recorte trimestral, entre outubro e dezembro, o comércio e a administração pública lideraram a geração de vagas, enquanto, na comparação anual, os maiores avanços ocorreram em atividades de informação, comunicação, serviços financeiros e setores ligados à área social. O cenário reforça a consolidação de um mercado de trabalho mais robusto no fim de 2025, ainda que com desafios estruturais a serem enfrentados.





