A confiança do comércio brasileiro apresentou leve recuperação em junho, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) avançou 0,9 ponto no mês, alcançando 85,1 pontos, em um movimento que interrompe parte da perda registrada em maio, mas ainda sem sinalizar uma retomada mais consistente do setor.
O resultado reflete uma melhora tanto na percepção sobre o momento atual quanto nas expectativas para os próximos meses. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) subiu 0,9 ponto, para 84,9 pontos, puxado principalmente pelo indicador que mede a avaliação dos empresários sobre a situação presente dos negócios, que avançou 3,7 pontos e chegou a 86,1 pontos.
Apesar disso, o volume de demanda atual recuou 1,9 ponto, para 84,1 pontos, mostrando que, na prática, o fluxo de consumo ainda segue enfraquecido. No campo das expectativas, o Índice de Expectativas (IE-COM) também teve desempenho positivo, com alta de 0,7 ponto, atingindo 85,9 pontos, sustentado pelo avanço nas projeções de vendas e tendência dos negócios.

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Segundo Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV IBRE, embora o dado de junho seja positivo, o ambiente ainda exige cautela. A leitura é de que a melhora foi concentrada em poucos segmentos e não compensou totalmente a queda do mês anterior. Além disso, mesmo com um mercado de trabalho aquecido e renda das famílias em expansão, o consumo segue pressionado por juros elevados, inflação persistente e orçamento mais apertado.
Na visão trimestral, o cenário ainda inspira atenção. O ICOM acumulou queda de 2,6 pontos na comparação entre trimestres, com destaque para a deterioração das expectativas, que recuaram 4 pontos no período. O Índice de Situação Atual também voltou a cair, marcando o sexto trimestre consecutivo de enfraquecimento.
O dado reforça a leitura de que o varejo brasileiro continua operando em um ambiente de recuperação lenta e desigual, em meio a desafios macroeconômicos que ainda pesam sobre o consumo e a disposição das famílias para gastar.





