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IGP-M inicia 2026 em alta com pressão disseminada entre atacado, consumo e construção

Índice avança 0,41% em janeiro, impulsionado por minério de ferro, alimentos e custos da mão de obra, apesar de ainda acumular queda em 12 meses.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) iniciou 2026 em terreno positivo ao registrar alta de 0,41% em janeiro, revertendo a leve queda de 0,01% observada em dezembro. Com o resultado, o indicador acumula avanço de 0,41% no ano, embora ainda apresente recuo de 0,91% na comparação com os últimos 12 meses. Em janeiro do ano passado, o índice havia subido 0,27% no mês e acumulava alta expressiva de 6,75% em 12 meses, evidenciando um cenário inflacionário mais pressionado à época.

A elevação do IGP-M em janeiro foi marcada por uma contribuição conjunta de seus três principais componentes: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Segundo o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, a alta no IPA foi impulsionada principalmente por minério de ferro, tomate e carne bovina, com destaque para o minério, cuja variação acelerou de 2,42% para 4,47%, exercendo influência relevante sobre o resultado geral do índice.

No atacado, o IPA avançou 0,34% em janeiro, após queda de 0,12% no mês anterior. O movimento refletiu, sobretudo, a recuperação dos preços das matérias-primas brutas, que passaram de retração de 0,30% em dezembro para alta de 0,55% em janeiro. Já os bens intermediários também apresentaram aceleração, enquanto os bens finais seguiram em leve queda, sinalizando uma pressão ainda concentrada nos estágios iniciais da cadeia produtiva.

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No varejo, o IPC subiu 0,51%, acima da alta de 0,24% registrada em dezembro. O resultado foi puxado por aumentos expressivos em Alimentação, Saúde e Cuidados Pessoais e Transportes, com destaque para itens como mensalidades escolares, gasolina e alimentos in natura. Em contrapartida, houve desaceleração nos grupos Habitação, Educação, Leitura e Recreação e Comunicação, o que ajudou a conter uma pressão inflacionária ainda maior sobre o consumidor.

Já o INCC avançou 0,63% em janeiro, acelerando frente à alta de 0,21% do mês anterior. O principal vetor foi o grupo Mão de Obra, que saltou para 1,03%, refletindo reajustes salariais decorrentes de dissídios coletivos e o impacto do aumento do salário mínimo em diversas capitais. Materiais e Equipamentos também registraram aceleração, enquanto o grupo Serviços apresentou leve desaceleração.

Apesar da alta no início do ano, o comportamento do IGP-M segue indicando um ambiente de inflação mais moderada no acumulado de 12 meses, ainda que pressões pontuais em commodities, alimentos e custos trabalhistas permaneçam no radar para os próximos meses.

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