A crise que levou o Banco Master à liquidação extrajudicial nesta terça-feira (18) é resultado de uma sequência de negociações mal-sucedidas, pressões políticas e alertas regulatórios que se intensificaram ao longo de 2025. Um dia após anunciar um acordo de venda por R$ 3 bilhões à Fictor Holding, em parceria com fundos dos Emirados Árabes Unidos, o banco viu sua situação se deteriorar de forma definitiva, culminando na intervenção do Banco Central. No mesmo dia, o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal, aprofundando ainda mais a crise.
O estopim do colapso se formou meses antes, quando o Banco de Brasília (BRB) manifestou interesse em adquirir 58% do Master por cerca de R$ 2 bilhões. O negócio, apresentado como estratégico, rapidamente levantou dúvidas sobre a real saúde financeira da instituição, especialmente por sua dependência de CDBs de curto prazo com custos muito acima da média. As investigações do Ministério Público e questionamentos judiciais reforçaram o clima de desconfiança, ao mesmo tempo em que parlamentares pressionavam pela concretização da compra.

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Apesar do apoio político e do aval concorrencial do Cade, a equipe técnica do Banco Central intensificou a supervisão diante do risco crescente. A fragilidade da carteira de ativos, composta majoritariamente por precatórios e investimentos de baixa liquidez, e o passivo bilionário associado às captações agressivas tornaram-se pontos centrais de preocupação. Em setembro, o BC vetou formalmente a operação com o BRB, encerrando a negociação e elevando o alerta sobre a sustentabilidade do Master.
Sem conseguir comprovar condições de continuidade, o banco buscou novos investidores e anunciou, em novembro, a oferta da Fictor Holding. O aporte, porém, ainda dependia de aprovação do BC que, diante da deterioração acelerada dos indicadores de liquidez, optou pela liquidação extrajudicial. A decisão mira proteger o sistema financeiro e evitar um impacto expressivo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que poderá ser acionado para cobrir aplicações de até R$ 250 mil por investidor.
A liquidação encerra uma trajetória marcada por movimentos bruscos, crescente fragilidade e uma rede de riscos que, aos poucos, se tornou insustentável para o mercado e para o próprio regulador.




