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Produção industrial avança em junho, mas setor ainda sente perdas acumuladas

Indústria cresce 0,1% após dois meses de queda, impulsionada por veículos e metalurgia, mas segue abaixo do nível recorde de 2011; comparação anual aponta retração de 1,3%.

Após dois meses seguidos de queda, a produção industrial brasileira registrou variação positiva de 0,1% em junho de 2025, na comparação com maio, segundo dados do IBGE. O avanço, embora modesto, marca a interrupção do ciclo de retração, com alta em 17 das 25 atividades pesquisadas, sendo o melhor espalhamento de crescimento desde junho de 2024.

Entre os destaques positivos estão veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 2,4%, metalurgia (1,4%) e celulose e papel (1,6%). O bom desempenho do setor automotivo, que vinha de uma retração de 4,0% em maio, impulsionou o crescimento geral da indústria no mês. No entanto, a leve alta de junho ainda não foi suficiente para compensar o recuo acumulado de 1,2% nos dois meses anteriores.

Na comparação com junho de 2024, a indústria recuou 1,3%, reflexo da queda em 12 dos 25 segmentos industriais, com destaque negativo para coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (-13,2%) e produtos alimentícios (-3,2%). Esses dois setores, juntos com o de extrativas, respondem por quase metade da produção industrial nacional.

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Mesmo com o crescimento em junho, o setor industrial permanece 15,1% abaixo do recorde histórico registrado em maio de 2011, ainda que esteja 2,0% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020). Entre os ramos com maior influência positiva na comparação anual estão indústrias extrativas (3,8%), manutenção e reparação de equipamentos (14,2%) e produtos de borracha e plástico (5,0%).

No acumulado do segundo trimestre, o setor industrial avançou 0,5% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado mostra perda de fôlego frente ao crescimento de 2,1% registrado no primeiro trimestre. A desaceleração foi puxada, principalmente, pelos bens de consumo semi e não duráveis, que caíram 5,9%, influenciados pela menor produção de carburantes.

Apesar da trégua em junho, o gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que o cenário ainda exige cautela: “A indústria mostra recuperação pontual, com maior disseminação de crescimento, mas os números interanuais e o desempenho no trimestre indicam perda de ritmo e persistência de gargalos em setores estratégicos”.