A Casa Branca confirmou nesta quinta-feira (10) que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses alcançaram o patamar de 145%. O número foi esclarecido em entrevista à emissora CNBC, após o presidente Donald Trump ter anunciado, na véspera, uma tarifa de 125% sobre as importações da China, como resposta à retaliação de 84% imposta por Pequim. A cifra final considera ainda uma sobretaxa de 20% já em vigor desde o início do ano, relacionada a sanções comerciais por conta do tráfico de fentanil.
A nova política tarifária, marcada por declarações confusas e mudanças abruptas, vem gerando incertezas entre investidores e parceiros comerciais. Na quarta-feira, Trump chegou a anunciar uma trégua de 90 dias nas chamadas “tarifas recíprocas”, mas manteve a alíquota global de 10% sobre importações de mais de 180 países, incluindo o Brasil. Mesmo assim, a tarifa especificamente aplicada à China foi elevada para 125%, número que agora, segundo o governo americano, totaliza 145% com a adição das sobretaxas anteriores.

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Além das tarifas gerais, a ordem executiva também determinou o aumento da alíquota para remessas de baixo valor vindas da China, atingindo diretamente plataformas de comércio eletrônico como Shein e Temu. A nova regra entra em vigor no dia 2 de maio e eleva para 120% a tarifa sobre pacotes com valor de até US$ 800 — sendo este o terceiro aumento em apenas oito dias. Na última terça-feira, Trump já havia elevado essa taxa para 90%, triplicando a cobrança anterior.
A medida põe fim à vantagem competitiva que essas empresas desfrutavam sob o regime de isenção tarifária para pequenas remessas, conhecido nos EUA como “de minimis”. Além do aumento percentual, a nova norma estabelece um custo fixo por pacote: US$ 100 a partir de 2 de maio, com elevação prevista para US$ 200 em 1º de junho. As transportadoras poderão optar entre a taxa percentual ou o valor fixo por pacote, mas só poderão alterar essa escolha uma vez por mês.
As novas tarifas reforçam a estratégia do governo Trump de usar a política comercial como instrumento de pressão geopolítica, ao mesmo tempo em que visam proteger a indústria americana e gerar receita para compensar cortes de impostos. Contudo, analistas alertam para os efeitos inflacionários da medida e os riscos de agravamento das tensões comerciais com a China.





