O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede a variação dos preços na “porta de fábrica” das indústrias extrativas e de transformação, registrou queda de 0,62% em março na comparação com fevereiro. Esta é a segunda retração consecutiva do indicador, após uma sequência de 12 altas mensais. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No acumulado do ano, o índice apresenta variação de -0,59%, enquanto no acumulado de 12 meses, o IPP registra alta de 8,37%. Em março de 2024, a taxa havia sido positiva em 0,35%. Dos 24 setores pesquisados, 10 apresentaram variações negativas no mês, com destaque para alimentos (-1,35%), indústrias extrativas (-3,61%), metalurgia e refino de petróleo e biocombustíveis.
“Os preços de alimentos, principalmente carnes bovinas congeladas, continuam pressionando negativamente o índice. Também pesa a valorização do real frente ao dólar, que reduz os preços de setores voltados à exportação, como fumo e metalurgia”, explicou Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia do IBGE. O real acumulou valorização de 0,3% entre março e abril, e de 5,7% no trimestre.
A atividade de alimentos teve o maior peso na composição do resultado geral da indústria em março, com influência de -0,34 ponto percentual. Entre os produtos com queda mais acentuada estão carnes (-3,27%), óleos e gorduras (-3,91%) e produtos de moagem e rações (-2,61%). O setor também lidera as influências no acumulado do ano e em 12 meses.

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Já as indústrias extrativas apresentaram a variação negativa mais intensa do mês, com recuo de 3,61%. O segmento, sensível aos preços internacionais, foi impactado pela queda no valor do petróleo bruto e dos minérios de ferro, além da valorização do real. Apesar disso, houve alta nos preços de minérios de cobre, em razão do fechamento de minas no exterior.
O setor de refino de petróleo e biocombustíveis também registrou retração, com queda de 0,58% em março. A influência negativa foi de -0,06 p.p. no índice geral. No acumulado de 12 meses, o setor tem alta de 8,11%, a menor do trimestre.
Entre as grandes categorias econômicas, bens intermediários foram os mais afetados, com queda de 0,84% e influência de -0,46 p.p. no índice geral. Bens de consumo recuaram 0,44%, enquanto bens de capital subiram 0,10%.
A queda nos preços industriais em março reforça o cenário de desaceleração em segmentos importantes da produção nacional, influenciado tanto por fatores internos como externos, e pode ter impacto nos próximos indicadores de inflação ao consumidor.




