Os preços da indústria brasileira voltaram a cair em junho, marcando a quinta retração mensal consecutiva. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou variação negativa de 1,25% no mês, frente à queda de 1,21% observada em maio, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (7) pelo IBGE. No acumulado de 2025, o indicador soma queda de 3,11%, o segundo pior desempenho para o mês de junho desde o início da série histórica, em 2014. Nos últimos 12 meses, o IPP ainda registra alta de 3,24%.
Das 24 atividades industriais monitoradas, 13 apresentaram redução nos preços frente ao mês anterior, com destaque para o setor de alimentos (-3,43%), que sozinho contribuiu com -0,88 ponto porcentual para a queda do índice geral. Refino de petróleo e biocombustíveis (-2,53%), produtos farmacêuticos (2,23%) e metalurgia (-1,85%) também tiveram forte influência.
Entre os principais fatores que explicam esse movimento estão a desvalorização do dólar frente ao real — que acumula queda de 9% em 2025 — e a baixa nos preços internacionais de commodities como o petróleo e o minério de ferro, o que reduz os custos de produção na indústria nacional. No setor de alimentos, o recuo foi impulsionado pelo excesso de oferta de carnes de aves no mercado interno, decorrente de restrições às exportações por conta da gripe aviária. Já o açúcar caiu 6,84% com a ampliação da oferta global favorecida pelo clima em países produtores como Índia e Tailândia.

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O segmento de refino de petróleo e biocombustíveis acumula sua quarta queda mensal consecutiva. Apesar de tensões pontuais que impactaram o mercado do petróleo em junho, o setor mantém retrações tanto no acumulado do ano (-5,43%) quanto nos 12 meses anteriores (-1,99%).
A metalurgia, por sua vez, registra sua sexta queda seguida, acumulando retração de 9,52% no semestre. A redução nos preços do aço reflete o comportamento do minério de ferro no mercado internacional, principal insumo da cadeia.
Pela ótica das grandes categorias econômicas, os preços recuaram 0,46% em bens de capital, 0,98% em bens intermediários e 1,78% em bens de consumo. Dentro deste último grupo, os bens semiduráveis e não duráveis caíram 2,11%, impactados por itens como carnes, gasolina, café e álcool.
Segundo Murilo Alvim, gerente do IPP no IBGE, “o cenário é de pressão contínua por preços menores, sustentado por um câmbio mais favorável e uma conjuntura global de queda nas commodities. Isso se espalha por diversas cadeias industriais, ajudando a conter a inflação nos estágios iniciais de produção.”





