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EUA criam 228 mil empregos em março, mas tarifas de Trump acendem alerta sobre futuro do mercado de trabalho

Alta nas contratações surpreende, mas incertezas comerciais e inflação podem impactar economia nos próximos meses.

A economia dos Estados Unidos surpreendeu em março com a criação de 228 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola, superando com folga a expectativa do mercado, que previa 135 mil novos postos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Departamento do Trabalho e mostram uma recuperação significativa frente ao número revisado de 117 mil empregos gerados em fevereiro.

Apesar do resultado robusto, a taxa de desemprego subiu levemente, de 4,1% para 4,2%, reflexo do aumento da força de trabalho. Os números confirmam a resiliência do mercado de trabalho, sustentado por baixos níveis de demissões e crescimento consistente dos salários, o que tem dado suporte à atividade econômica em meio a um cenário externo mais desafiador.

No entanto, a ofensiva tarifária do presidente Donald Trump ameaça comprometer esse equilíbrio. Na última quarta-feira, o governo anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre a maioria das importações, medida que já provocou reações no exterior e forte aversão ao risco nos mercados financeiros. Economistas apontam que a taxa tarifária efetiva dos EUA está agora no maior patamar em mais de um século, o que pode pressionar os custos de produção, impactar as cadeias de suprimentos e prejudicar o investimento empresarial.

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Segundo analistas, a confiança de empresários e consumidores já vem enfraquecendo com o aumento das tensões comerciais. A hesitação das empresas em contratar, observada nos últimos meses, pode se transformar em cortes de pessoal se os custos continuarem subindo e a demanda enfraquecer. Há ainda o risco de desaceleração do consumo e retração nos investimentos, o que colocaria em xeque a atual expansão econômica.

Estudos preliminares apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA pode ter crescido abaixo de 0,5% no primeiro trimestre, com possibilidade de retração, especialmente diante dos efeitos combinados da política comercial e de eventos climáticos severos registrados no período. Para muitos economistas, não está descartado um cenário de recessão nos próximos 12 meses, caso a escalada tarifária continue.

Diante das incertezas, cresce a expectativa de que o Federal Reserve retome o ciclo de cortes de juros já em junho. A autoridade monetária, que manteve as taxas inalteradas desde janeiro, projeta duas reduções até o fim do ano. Atualmente, a taxa básica está entre 4,25% e 4,50%.

Os impactos das tarifas e da desaceleração da confiança devem começar a aparecer nos próximos relatórios de emprego. Analistas esperam que os efeitos mais agudos das medidas protecionistas se tornem evidentes a partir dos dados de abril.

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