A economia brasileira registrou retração de 0,4% em abril na comparação com março, segundo dados do Monitor do PIB divulgados nesta segunda-feira (17) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado da série com ajuste sazonal marca a primeira queda mensal após cinco meses consecutivos de crescimento e reflete perdas na agropecuária, na indústria e em componentes da demanda como consumo, investimentos e exportações.
Na comparação com abril de 2024, o Produto Interno Bruto apresentou avanço de 1,6%. No trimestre encerrado em abril, o crescimento interanual foi de 2,7%, enquanto a taxa acumulada em 12 meses até abril ficou em 3,1%. O valor estimado do PIB no acumulado do ano, a preços correntes, alcançou R$ 4,057 trilhões.
“A retração observada em abril ocorre após um expressivo crescimento em março (1,3%), o que elevou a base de comparação. Apesar disso, o recuo sinaliza uma possível perda de fôlego da economia, após os resultados positivos dos primeiros meses do ano”, afirma Juliana Trece, coordenadora da pesquisa.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,9% no trimestre móvel encerrado em abril, mas segue em trajetória de desaceleração, puxado pela perda de ritmo no consumo de bens. O consumo de serviços, embora também tenha desacelerado desde 2024, mantém contribuição relativamente estável.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa os investimentos, cresceu 6,9% no mesmo período, mas o desempenho vem arrefecendo, principalmente por conta da menor contribuição do segmento de máquinas e equipamentos. Já a exportação cresceu 1,2%, com destaque para produtos agropecuários, bens de capital, serviços e bens intermediários, embora neste último grupo a contribuição tenha diminuído em relação ao trimestre anterior.
A importação teve expansão significativa de 12,9%, impulsionada por bens de capital, intermediários e serviços. A única queda veio da importação de produtos da indústria extrativa.
A taxa de investimento em abril foi estimada em 18,3%, conforme o levantamento da FGV, confirmando o arrefecimento gradual observado nos últimos meses. Esses dados reforçam o cenário de moderação no ritmo de crescimento da atividade econômica brasileira.




