A inflação oficial do país perdeu força em abril, mas continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% no mês, abaixo da alta de 0,88% registrada em março, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (12) pelo IBGE.
Mesmo com a desaceleração, o índice acumula avanço de 2,60% no primeiro quadrimestre de 2026 e alta de 4,39% nos últimos 12 meses.
O principal impacto sobre a inflação veio do grupo Alimentação e Bebidas, que avançou 1,34% e respondeu sozinho por 0,29 ponto percentual do IPCA do mês. Entre os produtos que mais subiram estão a cenoura (26,63%), o leite longa vida (13,66%), a cebola (11,76%), o tomate (6,13%) e as carnes (1,59%).
Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, fatores sazonais e o aumento dos custos logísticos seguem pressionando os preços dos alimentos.
“O clima mais seco reduz a qualidade do pasto, elevando o custo de produção do leite. Além disso, a alta dos combustíveis afeta diretamente o frete e o preço final dos alimentos”, explicou.
No grupo Saúde e Cuidados Pessoais, a alta foi de 1,16%, com destaque para os produtos farmacêuticos, que avançaram 1,77% após o reajuste autorizado nos medicamentos em abril. Os artigos de higiene pessoal também registraram aumento relevante, puxados pelos preços dos perfumes.

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A gasolina, apesar de desacelerar em relação a março, continuou sendo o item de maior impacto individual no índice. O combustível subiu 1,86% em abril e respondeu por 0,10 ponto percentual do IPCA. Também houve aumento nos preços do diesel e do etanol.
Já o grupo Transportes praticamente ficou estável, passando de alta de 1,64% em março para apenas 0,06% em abril. O principal alívio veio da queda de 14,45% nas passagens aéreas, além de reduções em tarifas de ônibus urbanos e metrô em algumas capitais.
Na Habitação, a inflação foi influenciada pela alta do gás de botijão, que subiu 3,74%, além dos reajustes nas tarifas de energia elétrica em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Fortaleza.
Entre as regiões pesquisadas, Goiânia registrou a maior inflação do país em abril, com alta de 1,12%, puxada pelos preços da gasolina e da taxa de água e esgoto. Brasília teve a menor variação, de 0,16%, favorecida pela queda das passagens aéreas e da gasolina.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado como referência para reajustes salariais, subiu 0,81% em abril, acumulando alta de 2,70% no ano e 4,11% em 12 meses.
Os dados reforçam um cenário de inflação ainda disseminada, principalmente em itens essenciais do consumo das famílias, o que mantém a atenção do mercado sobre os próximos passos da política monetária no Brasil.




