O Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou, na ata divulgada nesta terça-feira (24), que a condução da taxa básica de juros poderá ser ajustada conforme o avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus efeitos sobre a inflação global. O documento destaca que o ambiente atual é marcado por um “forte aumento da incerteza”, o que exige cautela adicional na definição dos próximos passos da política monetária.
Sem indicar um ritmo pré-definido para novos cortes na Selic, o colegiado deixou claro que a magnitude e a duração do ciclo de flexibilização serão calibradas gradualmente, à medida que novas informações tragam maior clareza sobre o cenário externo e doméstico. A decisão mais recente reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano — o primeiro corte em quase dois anos.
Na avaliação do Copom, o movimento de redução dos juros é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante, ao mesmo tempo em que contribui para suavizar oscilações da atividade econômica e favorecer o mercado de trabalho. Ainda assim, o comitê reforça que seguirá atuando com “serenidade e cautela”, diante de riscos que permanecem no radar.

Clique aqui para começar a investir com quem entende
As projeções de inflação foram mantidas. O colegiado estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar 2026 em 3,9% e alcançar 3,3% no terceiro trimestre de 2027, levemente acima do centro da meta de 3%. Para os preços livres, a previsão é de alta de 3,7% em 2026, enquanto os preços administrados devem subir 4,3% no mesmo período.
O cenário de referência considera a trajetória de juros indicada pelo Relatório Focus, taxa de câmbio inicial em R$ 5,20 e evolução baseada na paridade do poder de compra. Também inclui bandeira tarifária amarela de energia elétrica no fim de 2026 e 2027, além de preços do petróleo alinhados à curva futura no curto prazo e com alta anual moderada posteriormente.
Diante desse conjunto de fatores, a autoridade monetária sinaliza que o processo de queda dos juros seguirá dependente de dados e sujeito a revisões, especialmente em um ambiente internacional ainda instável.




