A economia brasileira perdeu fôlego em setembro. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,20% na comparação dessazonalizada com agosto, queda acima da expectativa do mercado, que projetava retração de 0,10%. O dado reforça o movimento de desaceleração visto ao longo do terceiro trimestre, período em que a atividade acumulou baixa de 0,9% frente ao trimestre anterior.
O recuo vem após uma alta de 0,4% em agosto, interrupção temporária de três meses seguidos de fraqueza. Segundo Rafael Perez, economista da Suno Research, o resultado confirma os efeitos da política monetária restritiva, que limita a expansão do crédito, pressiona o consumo e reduz o ritmo dos investimentos, além de ocorrer sobre uma base elevada do primeiro semestre.
A abertura dos números mostra novamente a indústria como principal vetor de queda, com retração de 0,7%. O setor de serviços também encolheu, ainda que de forma mais moderada (-0,1%). A agropecuária seguiu na direção oposta, avançando 1,5% e evitando um resultado pior. Sem o desempenho positivo do campo, a atividade teria caído 0,4% no mês.

Clique aqui para começar a investir com quem entende
Apesar da fraqueza no trimestre, o indicador avançou 2,0% na comparação anual e acumula alta de 3,0% em 12 meses. O PIB oficial do terceiro trimestre será divulgado no início de dezembro, e a expectativa mediana dos economistas indica crescimento de 1,8% sobre o trimestre anterior, após expansão de 0,4% no segundo trimestre.
O Banco Central mantém o discurso de que a taxa Selic em 15% é necessária para garantir a convergência da inflação à meta de 3%. A pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira mostrou estabilidade na projeção de crescimento do PIB de 2025, em 2,16%, com desaceleração esperada para 2026, a 1,78%.
O IBC-Br é calculado a partir de proxies de produção da agropecuária, indústria e serviços, além do volume de impostos sobre a produção, servindo como um sinalizador antecipado da tendência do PIB.




